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AgroVenenos e nós...

O Brasil é hoje o miaor consumidor de agrotóxicos de mundo. Além dos danos aos solos e aos ecossistemas, esses produtos contaminam a água (há uma portaria do Ministério da Saúde que define os parâmetros de água potável e prevê quantidades de 22 tipos de agrotóxicos em águas consideradas potáveis) e estão presentes em nossos pratos a cada refeição que fazemos.
   Já se sabe que a contaminação direta com esses venenos, além de danos aos sistema nervoso e ao respiratório, podem aumentar a incidência de cânceres, em especial a leucemia. Já os efeitos para a saúde da exposição aos resíduos de agrotóxicos como os que são encontrados nos alimentos ainda não são claros a longo prazo, mas sabe-se que o número de casos de cânceres diversos tem aumentado, inclusive os de leucêmia e outros associados à exposição direta aos agrovenenos, e não se pode descartar a influência que a presença deles na nossa alimentação pode ter sobre a saúde.
   Segundo o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) da Anvisa, é possível encontrar resíduos de agrotóxicos em quantidades acima do permitido ou de produtos não permitidos em produtos de uso cotidiano nas cozinhas de nossas casas, sendo os resultados mais alarmantes os do pimentão ( 64,36% das amostras apresentaram resultados insatisfatórios) e do morango ( 36,5%) . Além desses foram encontradas irregularidades no arroz, no feijão,  na banana, na uva, na cenoura, na laranja, no abacaxi, no repolho, no tomate e no alface.
    A pergunta que nos ocorre então é: Por que tanto veneno?
    Em 2008, o Brasil consumiu 673,862 toneladas de agrovenenos, o que daria uns 4 quilos de veneno para cada brasileiro. Esse consumo gerou US$ 7,125 bilhões para a indústria química. Daí dá pra se deduzir porque existe tanta pressão por parte das poucas (pouquíssimas) empresas que cotrolam o mercado desses produtos para que o consumo de agrotóxicos continue crescendo. Na verdade, o uso de agrotóxicos faz parte de um "pacote" que essas empresas (que controlam também boa parte do mercado de sementes) impõe à agricultura no Brasil, incluindo o modelo de monocultivo e o plantio de transgênicos, bem como a manutenção dos latifúndios.
   Opondo-se a esse modelo, defendido por transnacionais como a Syngenta,a  Bayer, a Monsanto e a Dow, há as iniciativas agroecológicas, que defendem a qualidade da alimentação, da produção saudável e também a manutenção da biodiversidade. Os sistemas agroflorestais não se utilizam nem mesmo de adubos químicos, como fazem os plantios orgânicos, e o número de pragas é reduzido pela própria biodiversidade do sistema que é baseado em princípios de ecologia , na pequena propriedade de terra e nos conhecimentos da agricultura camponesa. Este modelo é defendidos por diversas organizações e movimentos sociais, como a Via Campesina e as organizações que a compõe, bem como por organizações estudantis como a ABEEF (Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal), a FEAB (Federação Brasileira de Estudantes de Agronomia) e a ENEBio (Entidade Nacional de Estudantes de Biologia) entre outras.
  
Agronegócio = Agrotóxico = AgroVENENO

Abraços calorosos a todas e todos!

Roberto Jedi
ENEBio -Entidade Nacional de Estudantes de Biologia
UFSCar - São Carlos
  
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Tem que ter um limite

Olá novamente companheir@s! Mais uma vez venho aqui pra falar de coisas que muitos não
esperariam de um estudante de biologia, pelo simples fato de que para esses muitos a ligação entre problemáticas políticas, sociais e ambientais está dissociada, e é natural que pensem assim, pois toda a nossa formação nos ensina que "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa"....mas não foi disso que vim falar.
 Vim falar que o nosso lindo país, na verdade não é tão nosso assim, pelo menos não de todos nós! Pense bem no tamanho do Brasil, depois pense em quantas pessoas detém a propriedade das terras do país...é isso mesmo, nosso país é o segundo país que mais concentra terras no mundo, perdendo apenas para o Paraguai!Isso porque no Brasil, gente como a senadora Kátia Abreu e seus colegas da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), continua a defender e impor o latifúndio sob a nova embalagem do "Agronegócio" como a única forma de agricultura possível, sem a qual supostamente morreríamos de fome. O problema é, que se sabe hoje que a maior parte dos alimentos que vão para nossas mesas é produzida nas pequenas propriedades rurais, onde se pratica agricultura familiar: segundo o Censo agropecuário/2006,87% da produção de mandioca, 70% do feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 58% do leite, 59% dos suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e 21% do trigo têm origem nas pequenas propriedades de administração familiar.Isso nos mostra que o agronegócio vem na verdade, para produzir para o mercado externo, com produtos como a soja e a cana de açúcar.Esse modelo então nos impõe a situação em que as pequenas propriedades rurais, que produzem a maior parte do alimento que consumimos ocupa apenas 3% da área ocupada por estabelecimentos rurais, enquanto as grandes propriedades concentram 43% da área, segundo dados do IBGE.Além de produzir mais, a agricultura camponesa também emprega mais, sendo responsável por 74% dos empregos gerados no campo, segundo o mais recente Censo Agropecuário.
 Que podemos fazer então a respeito? Será que não há como por um limite ao modelo latifundiário que desrespeita a vida e a natureza, sendo marcado pela alta quantidade de agrotóxicos que emprega? Diversas entidades e movimentos sociais como o estão propondo e apoiando a iniciativa de um Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra entre os dias 01 e 07 de setembro. Mesmo não tendo valor jurídico legal, esta consulta popular tem um grande valor simbólico para mostrar que o povo está atento às grandes questões nacionais e que, por isso mesmo, deveria ser ouvido com mais atenção.

É isso aí companheir@s, se informem mais no http://www.limitedaterra.org.br/
Assinem se tiverem oportunidade o abaixo assinado pedindo o limite da propriedade de terra
e não se deixem convencer que não há nada que se possa fazer para mudar o mundo.Não depende de cada um de nós. Depende de TODOS NÓS JUNTOS e ORGANIZADOS.

hábraços de luta para tod@s.

Roberto "Jedi"
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Na suposta calmaria, brotam palavras, poesias...

Sei que a intenção dessa seção do blog não é a de tratar de arte e poesia, mas estou com um texto entalado, sem conseguir concluí-lo satisfatóriamente há duas semanas, e ontem me ocorreu a inspiração para uma pequena poesia por mim transmitida aqui:

Sobre a Vida, a Morte, a Relidade e o Sonho


sonho...
verdade!
sonho !
realidade...
sonho!


a morte do sonho
a verdade da morte
a vida real
os sonhos de vidas
não são mentira


a verdade é mentira
a mentira também é
o sonho é só sonho
a verdade,é só agora...
o sonho pode ser verdade?
o sonho pode ser verdade!
o sonho
não
pode ser mentira
não
deve ficar só no sonho
a verdade
não 
precisa
ser mentira
a morte
não precisa
ser a verdade na vida
a vida 
pode ser
a verdade na vida...

Beijos e abraços a todos e todas,
    
          Roberto "Jedi" Ribeiro
                    
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Por que se importar?

Por que um estudante de biologia precisa saber de política, de modos de produção? 
Respondo aqui como estudante de biologia e cidadão brasileiro, e por tanto de um país que exerce a função de "celeiro do mundo", que esses assuntos estão profundamente ligados ao estudo da biologia. De fato, acredito que a própria continuidade das atividades humanas no planeta está perfeitamente entrelaçada a esses assuntos, pois são as políticas adotadas por nossos governantes que perpetuam o modo de produção a que estamos atrelados, e esse modo de produção é incompatível com a capacidade de nosso planeta de gerar recursos para a continuidade indefinida de nossas atividades consideradas normais da sociedade humana.
 Pois então, por que nossos governantes continuam a atuar favorecendo a continuidade do capitalismo, esse modo de produção que explora de forma irracional os recursos naturais e humanos? Simplesmente porque estão inseridos na forma de pensar que faz girar esses sistema, pondo a economia, o acúmulo de riqueza para um país,um estado,uma cidade, à frente do bem  estar das pessoas, QUE SÃO VERDADEIRAMENTE A NAÇÃO! Parece me óbvio o raciocínio de que não traria dano nenhum às pessoas,  o país ter menos dinheiro,desde que todos tivessem comida em seus pratos, educação e saúde de qualidade. Pergunto-me então,  por que o Brasil está a extender as áreas de desmatamento em função da agricultura e imagino ingenuamente se essa expansão tem  algo a ver com a produção de alimentos, com a distribuição de terras para aqueles que querem trabalhar e não a possuem...mas não, expandimos as áreas destinadas à agropecuária para atender necessidades EXTERNAS A NOSSO PAíS, sendo que temos aqui organizado o maior movimento social do mundo, que luta pela reforma agrária! Destruímos o Cerrado, uma das áreas mais biodiversas do mundo,  para plantar soja, a tão famosa Amazônia, arde em chamas para que possamos criar nosso gado de forma extensiva, as matas do interior de nosso estado (SP) há muito sofrem com a expansão irrefreável da cana-de açúcar,e  me perguntam por que um biólogo tem que se interessar por política, entender o modo de produção em que vivemos, por que se importar com isso. Pois digo que é necessário não só entender e se interessar, é necessário se posicionar, enxergar a que realmente serve o "progresso", a que realmente serve o "desenvolvimento". É necessário ao biólogo, é necessário ao médico, é necessário ao engenheiro, ao jornalista e é necessário a todo cidadão do mundo.

Roberto "Jedi" Ribeiro
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